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Ficção Científica: quando o sonho se torna realidade 

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    Revista Curió
  • há 2 horas
  • 5 min de leitura

Em consonância aos últimos avanços da exploração espacial, relembramos alguns clássicos – e novos clássicos – do cinema 

 

Por:  Luiza Guimarães

Última atualização: 20/04/2026


"2001: Uma Odisseia no Espaço"/Reprodução
"2001: Uma Odisseia no Espaço"/Reprodução

Ficção científica é um gênero cinematográfico que explora a criatividade humana baseada em especulações como vida extraterrestre, viagem no tempo, naves intergaláticas, monstros, robôs e ciborgues, contando histórias que abordam questões políticas, sociais e existenciais em analogia ao novo, ao desconhecido. Por mais que o gênero tenha surgido nos primeiros anos do cinema, tudo mudou quando, em 1968,  Stanley Kubrick produziu e dirigiu 2001: Uma Odisseia no Espaço, fazendo com que essa categoria de filmes passasse a ser levada muito mais a sério a partir do interesse popular e dos investimentos em efeitos especiais. 


"Devoradores de Estrelas"/Reprodução
"Devoradores de Estrelas"/Reprodução

Em 2026, o filme Devoradores de Estrelas foi lançado no cinema como mais um expoente desse gênero que busca discutir aspectos da humanidade em lugares bem distantes da Terra. A obra acompanha a jornada de Ryland Grace (interpretado pelo carismático Ryan Gosling), um professor de ciências que tenta se lembrar do porquê foi parar no espaço, em uma ambiciosa missão de salvar as estrelas do seu iminente fim.


Com um orçamento de 250 milhões de dólares, Devoradores de Estrelas já se tornou um blockbuster aclamado pela crítica: “Este é o primeiro grande sucesso da Amazon MGM”, diz David A. Gross, editor do boletim informativo sobre bilheteria FranchiseRe, em entrevista para a Variety. “O que faz a história funcionar é o equilíbrio entre ficção científica e humanidade. Perdido em Marte tinha uma essência semelhante, e está funcionando novamente.”


Andy Weir, autor do livro e do roteiro tanto de Perdido em Marte (2015) quanto de Devoradores de Estrelas (2026), fez um ótimo trabalho juntamente com o cinegrafista Greig Fraser (Duna) e os diretores Phil Lord e Christopher Miller (Homem-Aranha no Aranhaverso) na criação de um universo colorido, amigável e caloroso, diferente de tudo que já havíamos visto. Isso se deve principalmente pelo seu cuidado em contar uma história com muitos termos técnicos de forma palatável para todos os públicos, transformando a experiência de ser cientista em algo envolvente e possível. 


Em Devoradores de Estrelas, Ryan revisita o papel de astronauta que interpretou e co-produziu em First Man (2018), a cinebiografia de Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na lua, em 1969. Dessa vez, ele divide a trama com um inesperado amigo, o adorável alienígena iridiano chamado Rocky. Essa amizade é o coração do filme — Grace se sente isolado, sozinho e, de alguma forma, impostor.  Será apenas com a chegada de Rocky que ele entende que para ser astronauta não é necessário ser corajoso, só é preciso encontrar alguém para ser corajoso por. 


As mentes mais brilhantes da Terra precisam agir com rapidez para salvar nosso planeta do Astrophage, um organismo que vive na superfície dos sóis e absorve energia, transformando-a em massa. Essa massa é usada para criar luz e propulsão para que esse ser possa migrar e apropriar-se de um planeta com dióxido de carbono disponível e continuar seu ciclo de vida, infectando mais estrelas.


Grace não tem parentes imediatos e nem pessoas próximas, e após publicar um trabalho polêmico demais, apesar de ser doutor em biologia molecular, se vê obrigado a se tornar professor de ensino básico. Ele não se considera apto, apesar da curiosidade e do perfil ideal para participar da missão espacial ultra secreta para investigar a única estrela que se mostrou resistente ao parasita, Tau Ceti. 


A dupla improvável une forças para desvendar as barreiras de comunicação, trabalharem, trocarem conhecimentos e tecnologias, em busca de uma solução para seu problema em comum: o fim de seus sistemas solares. Esse encontro inesperado muda tudo, em uma situação em que tempo é um recurso limitado, Rocky dá a Grace o melhor dos presentes, a chance e a vontade de viver. Os dois descobrem que vale a pena arriscar a vida por alguém que você ama. 


"Devoradores de Estrelas"/Reprodução
"Devoradores de Estrelas"/Reprodução

Outro clássico moderno é Interestelar (2014). O filme dirigido por Christopher Nolan foi muito apreciado pelo público que se envolveu com  o relacionamento pai e filha que transcende barreiras de espaço e tempo. Somos surpreendidos com o amor que supera a ciência e, ao contrário da matemática do universo, talvez nós nunca seremos capazes de entender esse sentimento completamente.  


Nossos protagonistas nos ensinam sobre o amor na sua forma mais pura e genuína, em Wall-E (2008) mesmo com personagens principais que não falam, somos apresentados a um futuro distópico na qual a quantidade absurda de lixo torna a vida insustentável, forçando os humanos a viverem vagando pelo espaço totalmente dependentes da tecnologia. A trama evoca questões pertinentes sobre a responsabilidade social que todos temos pelo nosso planeta, criticando o consumismo exacerbado e a exploração espacial imprudente.  


NASA/Ben Smegelsky
NASA/Ben Smegelsky

Em paralelo a tudo isso, os filmes de ficção científica extrapolaram a telona e ganharam vida com o lançamento do primeiro voo espacial tripulado do Programa Artemis da NASA. Os 4 astronautas decolaram do Centro Espacial John F. Kennedy, localizado na Flórida, em 1º de Abril de 2026, para dar “uma voltinha” ao redor da lua. 1o dias depois, pousaram no Oceano Pacífico, perto de San Diego, Califórnia.    


A Artemis II foi o segundo lançamento da missão que tem como objetivo descobrir maneiras de levar humanos de volta à lua em 2028. Foi também o primeiro voo tripulado a deixar a órbita baixa terrestre desde a Apollo 17 (1972), contando com a inédita participação de uma mulher (Christina Koch, EUA) e um homem negro (Victor Glover, EUA), em um programa de exploração lunar. 


Os cientistas planejam testar biomarcadores de imunidade com a tripulação fornecendo amostras de saliva antes, durante e depois da missão para avaliar o seu sistema imunológico e como eles são afetados pela radiação, isolamento e distância da Terra durante o voo no espaço profundo. Essa missão tem como finalidade  entender como os humanos poderiam sobreviver e se sustentar no espaço. Nesse sentido, a NASA planeja estabelecer uma presença norte-americana na Lua, criando bases para que empresas privadas eventualmente enviem pessoas para Marte, nosso vizinho.


Não é de hoje que somos fascinados com o espaço: desde os primórdios da humanidade olhamos para os céus e sonhamos com os mistérios que um dia iremos revelar. A corrida espacial foi um capítulo marcante do fim da Segunda Guerra Mundial, onde a polarização entre Estados Unidos e União Soviética mobilizou  e incentivou o desenvolvimento científico com o intuito de promover a exploração espacial. Nesse sentido, o filme brasileiro O Homem do Sputnik (1959) é uma chanchada clássica, uma comédia atemporal que satirizou toda essa disputa de poder, vale a pena conferir. 


Em tempos de aclamados filmes e ambiciosos programas espaciais, é um bom momento para parar e apreciar as estrelas, ver até onde a humanidade já chegou e o tanto de conquistas que ainda podemos alcançar. Histórias como as de Ryland Grace são inspiração para visualizarmos a vulnerabilidade do isolamento, a importância da amizade e do senso de humanidade de ter coragem para enfrentarmos os maiores desafios das nossas vidas, de tentar encontrar um sentido mesmo quando o fim é iminente. 


Na entrevista para o podcast Curiosity Theory, Ryan Gosling disse que somos capazes de muito mais do que imaginamos e, muitas vezes, precisamos que alguém acredite em nós para que possamos descobrir isso. Ao mesmo tempo que vemos seu personagem fugindo da responsabilidade de salvar o planeta, vemos ele criar soluções incríveis para os problemas apresentados. A resiliência humana e capacidade de adaptação é constantemente relembrada ao longo da história, seja no momento em que ele acorda a milhões de anos-luz de distância da Terra ou quando ele inventa uma forma de comunicação com Rocky. Tudo que ele precisava era de um “empurrãozinho” para acreditar no potencial que ele, e todos nós já temos. 


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