Muito além dos palcos: o FBC entre a música e a luta social
Na estreia da turnê de seu novo álbum, o rapper mineiro reafirma seu lugar entre os grandes nomes da música e sua atuação em pautas de justiça social
Por: Vinicius Bozzi
Última Atualização: 07/10/2026

Com o pé na porta, quebrando tudo e criticando todos: foi assim, na noite da última sexta-feira, 2 de outubro, que FBC estreou a turnê de “TAMBORES, CAFEZAIS, FUZIS, GUARANÁS E OUTRAS BRASILIDADES”, seu mais recente álbum, lançado em 1º de maio, Dia do Trabalhador. Após o dançante e conceitual “O AMOR, O PERDÃO E A TECNOLOGIA IRÃO NOS LEVAR PARA OUTRO PLANETA” (2023), e o boombap politizado de “Assaltos e Batidas” (2025), o rapper mineiro apostou no rock para o trabalho atual, se afirmando como um dos mais inventivos da cena.
O disco atual vem na mesma linha politizada do anterior “Assaltos e Batidas”, e segue o caminho natural do que FBC é e representa. Morador do Cabana do Pai Tomás, favela da região Oeste de Belo Horizonte e militante da Unidade Popular (UP), ele é atuante nas causas da comunidade e entende seu papel de líder e relevância em pautas sociais. Em suas letras e versos, a crítica também é local: FBC aborda os problemas de seu bairro diante da falta de políticas públicas para a comunidade. Mas não pense que ele se restringe apenas ao seu território: as críticas também vão para Brasília e seus políticos — um dos focos do trampo atual —, ultrapassam fronteiras e apontam o dedo na ferida até em Israel.
No palco, o que vimos foi um Padrin totalmente à vontade, como quem já conhecesse cada pessoa que estava na plateia e sabia o que elas esperavam e o que poderia entregar para cada um. Começando com uma mensagem de introdução ao som de batucadas, o que se viu na sequência foi uma completa entrega e conexão entre fãs e o artista: a roda punk tomou conta da pista desde a primeira música, levando à loucura os presentes.

A apresentação foi dividida entre a primeira parte exclusiva para o disco recente, que mostrou um coro afinado com as novas músicas, numa energia absurda de todos os presentes. Já a segunda parte contou com canções clássicas, que estão na ponta da língua dos fãs, como “Auto Ajuda”, “Se Eu Não Te Cantar” e “De Kenner”. O que vimos foi um show politizado, com intervenções e manifestações que demonstraram um FBC cada vez mais consciente de seu papel como Artista (com A maiúsculo mesmo), ao mesmo tempo em que expressa urgência na sua ânsia por uma revolução política que se mostra cada vez mais necessária. Numa rápida entrevista após o show, ele foi sucinto ao dizer que “tocar em BH é fácil, a galera tá sempre junto”, validando o sentimento desse aqui que vos escreve
Vale ressaltar que o artista trouxe consigo a banda Quinta Categoria, que, apesar do nome, está na primeira prateleira da sonoridade, com músicos talentosos e bons arranjos. Como não poderia deixar de ser, ainda contou com participação do grande e leal amigo Djonga, na música “Homo Sacer”, relembrando os velhos tempos do antigo grupo DV Tribo, formado ainda por Clara Lima e a dupla Hot e Oreia.
Em tempos de discursos autoritários e iminentes retrocessos escolhidos pela sociedade, FBC se agiganta e reafirma sua posição de líder político-musical, instigando sonhos e movendo ações em prol de um bem comum. O discurso e a presença da então candidata ao governo de Minas Gerais, Indira Xavier (UP), ao subir ao palco, reforçam essa preocupação do artista em não apenas vender seu show ou seu álbum, mas também o senso coletivo de alguém que olha pelos desfavorecidos e se mantém na luta por um futuro melhor.
FBC são apenas três letras que, à primeira vista, podem parecer simples, mas, na verdade, representam um nome gigante: o de alguém que se propõe a ser não só músico, mas também uma figura capaz de apontar caminhos e provocar reflexões sobre o que queremos ser, para onde queremos ir e como queremos chegar. E se BH é hoje esse local com uma cultura hip hop pulsante, isso se deve muito ao FBC.




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