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Estudantes da Pedreira Prado Lopes protagonizam produção do próprio filme no projeto Cinema da Favela

  • Foto do escritor: Revista Curió
    Revista Curió
  • 16 de out. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 16 de out. de 2025

Iniciativa utiliza recursos da sétima arte para explorar potencialidades criativas de jovens da periferia de Belo Horizonte


Texto colaborativo entre RU3 e Revista Curió elaborado por Caio Domingos, Rafael Silva e Vitor Pepino*

Última atualização: 16/10/2025


Nós da Fita/Divulgação
Nós da Fita/Divulgação

A Escola Municipal Belo Horizonte recebe, até o dia 12 de dezembro de 2025, a 1ª edição do Cinema da Favela, projeto de formação audiovisual voltado a jovens moradores da Pedreira Prado Lopes, uma das favelas mais tradicionais da capital mineira. Realizada pelo Nós da Fita e patrocinada pela Blip e pela Lei de Incentivo à Cultura de BH, a iniciativa é voltada para estudantes do Ensino Fundamental II – do 6º ao 9º ano –, que, por meio de uma série de oficinas, estão aprendendo sobre todas as etapas de produção de um filme.


Idealizadora do projeto, a cineasta Tamira Abreu explica que a ideia nasceu da percepção que os sets de filmagens são espaços predominantemente brancos e ocupados por pessoas de classe média, o que despertou nela a vontade de encontrar formas de modificar essa realidade: “a arte tem um potencial de transformação muito grande, e essa nova geração, com o telefone na mão, já  conta as próprias histórias. Agora nossa proposta é profissionalizar esse processo”, afirma.


As oficinas do Cinema da Favela, que começaram em agosto, são conduzidas por profissionais atuantes no mercado audiovisual, combinando momentos expositivos com experiências práticas. A formação é dividida em núcleos temáticos que abordam diferentes áreas do cinema, como roteiro, direção, câmera, som, arte, figurino, produção e edição.


Ao longo das oficinas, os alunos exploram cada uma dessas etapas na prática, entendendo como funciona o processo de criação de um filme. No final do percurso, o grupo é dividido em funções e realiza, coletivamente, um curta-metragem – acompanhado dos mentores, mas com total liberdade criativa.


Este processo, utilizado como ferramenta de ensino, possibilita não só o surgimento de diferentes universos pedagógicos para os professores, mas de novas possibilidades de sonhos para os alunos. Nos diálogos com as crianças é possível perceber que a política educacional adotada pela escola também prevê o ensino de música e dança, permitindo a elas alcançar novos horizontes de construção coletiva de sentidos culturais.


A cineasta Tamira Abreu - Clarice Sabino/Divulgação
A cineasta Tamira Abreu - Clarice Sabino/Divulgação

Os primeiros passos no mundo do cinema


As aulas introdutórias, realizadas nas primeiras semanas, tiveram como objetivo apresentar os conteúdos e atividades que serão desenvolvidos ao longo do semestre, além de promover o primeiro contato com os alunos e conhecer seus interesses, vivências e repertórios.


Para Silvia Dias, coordenadora do projeto, um dos aspectos mais interessantes de acompanhar o desenvolvimento das oficinas é ver o crescente envolvimento dos estudantes. “Acho legal que eles entendam primeiro como contar uma história, a história deles, a história da comunidade. Hoje com o vídeo muitas histórias são contadas, mas é um jeito diferente de dar voz a essas histórias, falar das próprias vidas, dos assuntos que mexem com eles, sejam temas pessoais, coletivos… Acho que vai trazer um benefício enorme, desenvolver a criatividade, mexer com a sensibilidade, o senso de coerência, tudo isso eles vão desenvolver enquanto contam uma história para outras pessoas”, comenta Silvia.


Nós da Fita/Divulgação
Nós da Fita/Divulgação

Primeiro a chegar na sala para a oficina de produção, Gustavo dos Santos Alves, de 12 anos, elogia a iniciativa e fala sobre a experiência de participar do projeto. Ele conta que “nunca tinha feito algo relacionado ao cinema e isso pode virar uma profissão ou algo relacionado ao tema no futuro. Posso em algum momento virar diretor, ter alguma profissão ligada ao ramo. São vivências que nunca tive”.


Além da dimensão técnica, o projeto trabalha valores sociais interessantes: “o cinema ensina a trabalhar em equipe, entender como o coletivo, como a função do outro é importante para resultar no trabalho do todo. Assim, ensinamos e também aprendemos com eles um pouco todo dia”, conclui Silvia Dias. 


Mostra de cinema: Tudo que nois tem, é nois


A iniciativa chega ao seu momento mais emocionante com a produção de um curta-metragem feito inteiramente pelos jovens da Pedreira Prado Lopes. Com roteiro, direção e edição realizados pelos próprios participantes, o filme traz à tona histórias reais, que refletem o cotidiano, os desafios e as conquistas desta comunidade. É o resultado de um processo intenso de aprendizado e colaboração, onde cada jovem teve a oportunidade de transformar suas vivências em arte.


Nós da Fita/Divulgação
Nós da Fita/Divulgação

A Mostra Cinema da Favela, evento que encerra o projeto no dia 12 de dezembro, é vista como uma oportunidade para que os participantes apresentem seu trabalho para a comunidade, o que fortalece o senso de pertencimento e orgulho local. “A Mostra é o momento de celebrar o talento e a cultura da favela, e que o cinema pode ser uma poderosa ferramenta de inclusão social e valorização cultural”, finaliza a coordenadora Tamira. Assim, as narrativas contadas por esses novos cineastas podem vir a inspirar outros jovens a também fabular sobre sonhos e vivências nas comunidades.


* Esta matéria foi elaborada por uma colaboração entre Revista Curió e RU3 | Revista Universitária. Você pode conferir o texto em ambas as plataformas.

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