top of page

Talvez você seja MPBDoll

Foto do escritor: Revista Curió
Revista Curió
há 2 horas
4 min de leitura

Atualizado: há 4 minutos

Talvez você seja MPBDoll

Registros da edição manifesto da festa de discotecagem brasileira: Noite MPBDoll

Texto por: Hugo Carrião

Colaboração: Wagner Rodolfo

Última atualização: 04/11/2026


Em meio à psicose política, colei na Quente para acompanhar essa noite especial organizada pelo Wagner Rodolfo, mais conhecido por todos como o querido e sorridente Waguinho, MPBDoll titular.


Criador da página Cê Já Ouviu Isso?, Waguinho é assessor, produtor, colaborador da Curió e (não menos importante) nadador. Enquanto comunicador de música, sempre traz pra gente as recomendações mais fresquinhas da nova música brasileira, o que rendeu pra ele a marca de ser A MPBDoll. 


Você deseja um espaço pra sentir clássicos alternativos e futuros clássicos da música brasileira no meio de uma cena que pensa menos em cânone e mais em dança? Bem, talvez você seja um(a) MPBDoll.


Foto: Bárbara Moreira


Waguinho queria uma festa de discotecagem brasileira para as bonecas, então foi lá e fez a dele. Foi mais ou menos por aí. A ideia já era antiga, mas a primeira edição veio com um empurrãozinho de Luiza Brina. A artista, arranjadora, produtora e multiinstrumentista, teve a carreira entrelaçada com a de Waguinho, que a assessorou por anos. Agora, tava muito animada pra estrear seu novo projeto de discotecagem: Pacati & Potocó (com Lucas Ferrari).


A oportunidade era boa demais, mas ele não viu muito sentido. Aquele não era o tipo de evento que ele produzia. Mas aí, três dias depois o Marcelo, da Música Quente, ofereceu o lindo espaço de shows deles caso ele quisesse fazer alguma festa. Armadilha perfeita, Waguinho teve que organizar uma festa. Mas por que não aproveitar e lançar o manifesto da marca que representa sua trajetória na música brasileira? No dia 17 de outubro, fui dançar na primeira Noite MPBDoll.


Cheguei na passagem de som, todo mundo tava no corre pra deixar tudo certinho pro rolê. Atrapalhando Entrevistando a galera, entendi mais quem são as MPBDolls. Um grupo de amigos de diversos cursos de humanas que se encontram no amor comum pela música brasileira contemporânea e buscam um espaço para ocupar a pista com seus corpos mais tropicais.


Mas não foi só uma discotecagem de clássicos MPB ou de latinidades que a gente conhece. Enquanto ainda entrava um sol pelas janelonas do Sula, a bola de espelhos seguia tímida mas a pista já ia começando. Waguinho MPBDoll tocou muitas batidas diferentes: ouvi Letrux, FBC, Bethânia e Vera Fischer Era Clubber, e muitos achados nesse meio. O único traço em comum entre elas cê já entendeu: todas tinham que ser em português. Isso facilitava cantar as letras a pleno pulmão, seguindo o exemplo do DJ.


Waguinho MPBDoll - Foto: Bárbara Moreira


Com um set manifesto, ele mostrou sua extensa pesquisa e definiu como seria o ritmo naquela noite, e quais suas regras. Literalmente. Logo depois do set de Waguinho MPBDoll, seu parceiro SZUGHO tomou o controle da pista, e o trem começou a acelerar. Tudo bem que tava anoitecendo e já tinha dado tempo da galera beber um pouco, mas ficou claro que o ritmo era diferente. Uma mistura de clássicos brasileiros com instrumentais mais digitais e caóticos. Mas, de novo, o que predominava era nacional, não por acaso. Os DJs ali estavam sobre ameaça, a única regra de Waguinho era simples: duas músicas gringas em sequência, sujeito à paulada. O profissionalismo da classe triunfou e ninguém apanhou (até onde eu sei).


A diferença entre os dois sets quem explica melhor é o próprio Waguinho. Refletindo a perspectiva diferente do casal, o set inaugural criava mais espaço para curtir as letras das músicas escolhidas e cantar junto com as Dolls. Diferente de SZUGHO, que propunha uma experiência focada nas batidas, mashups e transições. Ele tava no meio dessa explicação quando foi interrompido de repente. O DJ tinha acabado de cumprir o desafio proposto pelo MPBDoll: tocar alguma música da Xuxa no meio do set. Por cima da voz da Xuxa em uma base de Tamborzão só deu pra ouvir o “Espera aí, amigo!”


Pacati & Potocó - Foto: Bárbara Moreira


Luiza Brina e Lucas Ferrari agora eram Pacati & Potocó. Eles vestiam corta-ventos verde neon e pisca-pisca no cadarço, claramente tramando alguma coisa, o set caótico foi o momento mais engraçado da noite. Os palhaços falsos misturavam ritmos latinos muito acelerados com áudios do clássico vídeo: Patati Patatá Falso: Palhaçada no Subúrbio. No meio de uma Cumbia ouvíamos crianças gritando em coro: “Queremos meus direito!” Daí vinha um Brega ou um Kuduro que era interpelado pelo acapella de Gordinha Canibal. O set foi o mais cheio da noite, com um público que se divertia com as provocações e encontrava os balanços infalíveis naquelas batidas estranhas.


Quem fechou o rolê foi a dupla !C0p1W1nk!. O horário avançava mas a galera não largava a pista que prendia com escolhas muito malandras de diversas épocas da música brasileira, puxando Soul, Drum and Bossa, Reggae e Funk.


!C0p1W1nk! - Foto: Bárbara Moreira


A primeira Noite MPBDoll foi uma festa de música brasileira com um molho próprio. A combinação desse grupo de amigos com vontade de compartilhar suas pesquisas e perspectivas em música brasileira, atraiu uma galera que parece ter uma admiração mais sincera por aquele clássico do brega que emocionou durante um término ou por aquele Indie fubango que a gente ama quando é adolescente do que por aqueles “grandes” artistas e sucessos do panteão da MPB. Daí vem a graça de ser MPBDoll: quem quiser curtir junto sem presunção é bem-vindo na cena.


E a melhor parte é que o nosso querido Waguinho MPBDoll já prometeu que virão próximas edições, priorizando sempre a DJs estreantes e, claro, música brasileira (sob ameaça). Portanto sigam o divo pra colar na próxima edição com a gente!

Comentários


bottom of page